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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Viagem e visita a Freixo de Espada à Cinta

Brasão de Freixo de Espada à Cinta

Localização : 

         concelho de Freixo de Espada à Cinta está integrado no distrito de Bragança, com 244,49 km2,  abrangendo administrativamente seis freguesias, uma das quais com sede em vila (Freixo de Espada à Cinta). O concelho é limitado pelo rio Douro a Leste que o separa da província espanhola de Salamanca; e a Oeste e a Norte faz fronteira com os concelho de Torre de Moncorvo e MogadouroA sua área florestal é composta maioritariamente por carvalho português e azinho. A nível de clima, o concelho está dividido entre a Terra Quente, na zona ribeirinha, junto ao Douro e seus afluentes; e a Terra Fria de características mais trasmontanas.



História : 

          O povoamento de Freixo de Espada à Cinta deverá ser anterior à era cristã, a julgar por testemunhos da arqueologia viva, como é o caso das oliveiras, pelo menos duas vezes milenares, bem frequentes na área da freguesia sede de concelho, e que só podem ter sido introduzidas por Romanos ou Gregos; outro facto que comprova a antiguidade do povoamento, são as referências históricas anteriores a Cristo, como é o caso de Octávio César Augusto quando, ao demarcar a Citerior, refere que ela vai "em direitura ao Rio Douro, Junto ao Freixo". A própria toponímia poderá ser também uma referência para a antiguidade do povoamento, podendo-se mencionar, a título de exemplo, o topónimo "Congida", que teve origem em"congius", que era 1/8 de ânfora da distribuição de vinho, trigo e azeite que o Senado fazia ao povo de Roma. Os Romanos, quando povoaram Freixo, deveriam ter lá encontrado as populações acontonadas no antigo castro, no atual lugar do cemitério; essas populações primitivas deveriam viver da caça, pois a região deveria ser abundante não só em flora, como também em fauna. Uma das lendas conta que a vila terá sido fundada por um fidalgo de apelido Feijão, primo de S. Rosendo que morreu em 977 e que terá obtido o seu nome por este trazer por armas um freixo e uma espada; uma outra lenda conta que um capitão godo, de nome Espadacinta, chegou àquele sítio cansado da batalha e descansou à sombra de um freixo que aí existia; no entanto, a lenda mais conhecida é a "Lenda de Freixo de Espada à Cinta", segundo a qual D. Dinis, após batalhar para castigar os correligionários de seu filho D. Afonso, que viria a ser D. Afonso IV de Portugal, foi descansar à sombra de um enorme freixo, no qual prendeu a sua espada; durante o sono, D. Dinis teve a visão de um velho Rei Visigodo, de grandes barbas brancas, que lhe deu alguns conselhos para que ouvisse mais a Rainha D. Isabel, sua esposa e para que fizesse as pazes com seu filho porém com a excitação dos conselhos, D. Dinis acordou e não ouviu o velho até ao fim; no entanto, ao acordar, reparou que o velho freixo à sombra do qual se deitara era bastante semelhante com o velho rei visigodo, não só pelo seu aspecto, mas também pelo facto da sua espada estar presa no tronco, daí se ter espalhado por toda a região a história do velho "Freixo de Espada à Cinta". Acrescente-se que realmente o velho Visigodo tinha razão nos seus conselhos, porém, como D. Dinis não o ouviu até ao fim, não foi capaz de manter a paz com seu filho durante muito tempo. Já no tempo de D. Afonso Henriques, Freixo era bastante populosa, porém, o monarca que tornou Freixo mais célebre e memorável foi D. Dinis, não só por honrá-la com a sua presença, mas também pelas suas obras; D. Dinis mandou reconstruir o castelo, com duas soberbas torres, das quais apenas resta torre heptagonal, ou Torre do Galo, considerada Monumento Nacional, e mandou construir também a igreja de devoção a S. Miguel Arcanjo, toda de cantaria lavrada e abóboda. Atualmente conservam-se ainda a igreja e algumas ruínas do castelo; de referir que as obras da igreja, começadas por D. Dinis, foram concluídas apenas no século XVII. A paróquia de S. Miguel de Freixo de Espada à Cinta foi uma vigairaria da apresentação "ad nutum" da Mitra, passando depois a reitoria.

Bandeira de Freixo de Espada à Cinta

Cultura e Turismo  : 

                São vários os locais de interesse turístico no concelho de Freixo de Espada à Cinta, destacando-se a esse nível o conjunto agro-turístico da Quinta da Boavista; os miradouros de "Penedo Durão", Lagoaça, Alto Pirocão e o Cabeço de Nossa Senhora dos Montes Ermos; a praia fluvial de Congida; e o circuito da Ribeira de Santiago. Um outro atrativo deste concelho são as amendoeiras em flor, que conferem ao concelho, ao chegar ao mês de Março, tons de rosa e branco. Freixo de Espada à Cinta é também bastante rico ao nível patrimonial, sendo vários os monumentos de interesse a visitar neste concelho, entre os quais o Castelo ou Torre do Galo com a Torre Heptagonal; a Igreja Matriz, cujos paineis do retábulo são atribuídos a Grão Vasco; o Pelourinho, de estilo manuelino; o Castelo de Alva e o convento de S. Filipe de Neri. 



Gastronomia : 

            Na gastronomia do concelho de Freixo de Espada à Cinta são característicos: as empadas, os enchidos (alheira, salpicão e chouriços de carne), lascas de bacalhau cru ou assado, bacalhau cozido com azeite e a bôla de azeite e queijo. Na doçaria, o destaque vai para os doces com ovos e amêndoa, os doces de chila com amêndoa, os arrepelados e amêndoa coberta.

Alheiras




        

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Viagem e visita ao concelho de Vila Nova de Foz Côa

Brasão de Vila Nova de Foz Coa

Localização : 

             concelho de Vila Nova de Foz Côa está situado no extremo Norte do distrito da Guarda e faz fronteira a Norte com o rio Douro que o separa dos concelhos de Torre de Moncorvo e Carrazeda de Ansiães; a Sul, é limitado por Figueira de Castelo Rodrigo e Meda e a Sudoeste por S. João da Pesqueira. Abrange uma área de 395.9 km2, distribuída por 17 freguesias. O clima do concelho caracteriza-se por ser temperado, com Verões muito quentes e Invernos frios, com temporadas em que chegam a ser atingidas temperaturas muito baixas, provocadas por massas de ar frio vindas de Norte ou Leste. Os mais importantes recursos hídricos deste concelho, são o rio Douro e o rio Coura; este último nasce na Serra da Malcata e desagua no rio Douro, a alguns quilómetros de Pocinho. Perto da foz, a sua bacia hidrográfica está limitada a nascente pela ribeira de Aguiar e a poente pelas ribeiras de Centieira e do Vale da Vila.



História : 

          As origens do povoamento do território que corresponde ao atual concelho são bastante recuadas, sendo que descobertas recentes remontam o povoamento ao paleolítico. Em lugares como Canada do Inferno, Vale de Figueira, Vale de José Esteves e Vale Cabrões foram encontradas gravuras do Paleolítico e de períodos posteriores que marcam bem a presença humana na área que hoje é o concelho de Vila Nova de Foz Côa. Os conjuntos artísticos do paleolítico encontrados no Côa situam-se nas vertentes viradas ao rio ou aos seus afluentes. No ponto de vista estilístico, a arte paleolítica do Côa apresenta uma característica particular que se trata da associação de duas ou três cabeças ao corpo de um mesmo animal, na tentativa de transmitir a ideia de movimento. Esta técnica está muito bem documentada na Penascosa e na Quinta da Barca, como anteriormente se referiu, mas há também alguns exemplos de excelente qualidade na Canada do Inferno. A Canada do Inferno fica num troço em que o rio percorre um vale profundo, com um encaixe de cerca de 130 metros e nessa zona já inventariadas trinta e seis rochas gravadas, a maior parte das quais está submersa a pouca profundidade desde 1983 em consequência da construção da barragem do Pocinho, cuja albufeira penetra pelo vale do Côa acima até cerca de 6 km a montante da confluência com o Douro. Como particularidade, assinala-se a existência de vários peixes gravados em duas das rochas deste núcleo, por picotagem, noutra por incisão filiforme. Há também gravuras de estilo pós-paleolítico comparáveis a algumas encontradas no vale do rio Tejo, representando veados e cabras. O concelho de Vila Nova de Foz Côa, onde prosperou a civilização castreja cujas reminiscências permanecem na orografia e na toponímia do seu território, possui diversos monumentos de vigia e defesa, entre eles os interessantes castelos de Castelo Melhor, Castelo Velho (de Freixo de Numão) e Numão. O castelo de Numão, pertencia, em 960, a D. Châmoa Rodrigues que o doou ao convento de Guimarães, e terá sido reconquistado por Fernando I, o Magno, de Leão, em 1055. Deve ter sido D. Dinis que, aforando Aldeia Nova, lhe teria dado o título municipal de Vila Nova de Foz Côa. A 21 de Maio de 1299, esse monarca outorga o primeiro foral, sendo que a 24 de Julho de 1314 lhe é atribuído o segundo foral. Nos finais do reinado de D. Dinis existiam no território do atual concelho as paróquias de Santa Maria de Aldeia Nova; Santa Maria de Cedovim, Santa Maria de Muxagata, S. Pedro de Numão (Freixo); Santa Maria de Numão; Santa Maria de Sebadelhe; Santa Maria de Vale do Boi e Santa Maria da Veiga. Alguns destes oragos posteriormente mudaram e algumas das freguesias foram extintas. A freguesia de Santa Maria de Aldeia Nova é a da atual vila e era a mais pobre de todo o território do atual concelho, pois aparece taxada em 20 libras. A 25 de Julho de 1377, D. Fernando, escrevendo ao meirinho de Trás-os-Montes, João Rodrigues de "Portocarreiro", concede a Torre de Moncorvo a adua de Vila Nova de Foz Côa. Na altura vivia-se então uma guerra com os espanhóis e essa vila assumia o papel de defensáculo principal dessa região. O papel desempenhado por Moncorvo foi prejudicial para Vila Nova de Foz Côa que foi integrada no seu termo pelo Regente Mestre de Avis. Posteriormente, Vila Nova de Foz Côa assume o seu lugar de concelho, recebendo a confirmação dos seus privilégios por D. Duarte e por D. Afonso V e recebendo foral novo de D. Manuel I, em 16 de Julho de 1514. Cumpre dizer que a freguesia de Numão foi sede de um vasto concelho chamado Freixo de Numão por se ter mudado a sede para esta freguesia do seu termo, sendo que o concelho de Vila Nova de Foz Côa tem neste concelho, pela sua extensão e tradições, uma representação histórica. A 12 de Julho de 1997, por Decreto-lei n.º 41/97, Vila Nova de Foz Côa foi elevada à categoria de cidade.


Bandeira de Vila Nova de Foz Coa

Cultura e Turismo :

             São vários os atrativos turísticos do concelho de Vila Nova de Foz Côa que aliam os valores patrimoniais do concelho e a sua beleza paisagística, sendo de se destacar os vales e planaltos de Almendra, Castelo Melhor, Alto das Seixas, Vale de Mós e Santo Amaro e de Muxagata. Existem por todo o concelho vários miradouros de onde se pode desfrutar as bonitas paisagens da região. São então de mencionar os miradouros de: Nossa Senhora do Viso, em Custóias, onde se situa a capela de Nossa Senhora do Viso, a uma altitude de 813 metros; Santa Bárbara, em Mós; S. Martinho, em Seixas, onde se tem uma vista panorâmica sobre o Rio Douro (zona do Vesúvio); S. Gabriel, em Castelo Melhor, com uma vista sobre o vale do Côa; Mata dos Carrascos, em Santo Amaro onde se consegue ver a ponte e a barragem do Pocinho, Vila Nova de Foz Côa e o concelho de Torre de Moncorvo; e Arnozelo, em Numão. Ao nome de Foz Côa anda hoje associada a descoberta, nos vales dos rios Côa e Douro, de um elevado número de gravuras rupestres do Paleolítico Superior. De facto, o vale do rio Côa constitui um local único no mundo por apresentar manifestações artísticas de ar livre nomeadamente o maior conjunto de figurações paleolíticas de ar livre, até hoje conhecidas. Apesar da existência de vários "sítios" com gravuras, encontram-se organizadas as visitas aos núcleos da Canada do Inferno, Penascosa, e Ribeira dos Piscos. A gestão das visitas às gravuras é feita pelo Parque Arqueológico do Vale do Côa (PAVC), sediado em Vila Nova de Foz Côa, junto do qual devem ser feitas as respectivas inscrições para o efeito. Ao nível de unidades museológicas, destaca-se o Museu da Casa Grande de Freixo de Numão, instalado num palácio barroco do século XVIII e que alberga um acervo arqueológico e etnográfico de grande interesse.



Gastronomia : 

             Da gastronomia tradicional de Vila Nova de Foz Côa destacam-se as migas de peixe, o fumeiro, a salada de azedas, as omoletes de espargos silvestres e o cabrito assado. Na doçaria, as principais iguarias são os doces de amêndoa, as súplicas, as lampreias de ovos e ainda os "coscorões", os folares e as bolas toscas, livradas e picadas.




domingo, 9 de dezembro de 2012

Viagem e visita ao concelho de S. João da Pesqueira

Brasão de São João da Pesqueira

Localização :

            concelho de S. João da Pesqueira está integrado na região de Trás-os-Montes, no distrito de Viseu, ocupando uma área de 267.6 Km2, subdividido em 14 freguesiasFaz fronteira a Leste com o concelho de Vila Nova de Foz Côa, a Poente com Tabuaço, a Sul com Sernancelhe e Penedono e a Norte com o rio Douro. Da rede hidrográfica do concelho faz parte o rio Torto. Este rio nasce na Fonte do Milho, entre as freguesias de Guilheiro e Torre do Terrenho, no concelho de Trancoso, correndo na direção Norte até desaguar no rio Douro na freguesia de Ervedosa do Douro, em S. João da Pesqueira. 



História : 

           O povoamento inicial da vila teria surgido próximo da referida pesqueira e não no local onde atualmente se encontra a vila. Primitiva comunidade de pescadores e agricultores, recebeu foral do rei D. Fernando I, o Magno, entre 1055 e 1065, conhecido apenas através das confirmações do Conde D. Henrique, em 1110, e de D. Afonso Henriques, em 1169. Este foral veio a ser confirmado também por outros monarcas: D. Sancho I, em 1198, D. Afonso III, em 1256, D. Fernando, em 1376, e D. Manuel que outorgou foral novo em 1510. Antes do século XIII, o concelho de S. João da Pesqueira tinha um termo que correspondia à maior parte do atual concelho; limitava-o a Poente o rio Torto, e a Ocidente e a Sul, os concelhos medievos de Paredes e Trevões. No entanto, durante o reinado de D. Sancho, o concelho veio a sofrer de alguma perda de autonomia, principalmente devido à sucessiva concessão de privilégios. Em 1377, D. Fernando doou a vila a Rui Lourenço de Távora e a Pedro Lourenço de Távora, por serviços prestados à coroa pelo pai destes, Lourenço de Távora. Sobrevindo o processo judiciário do regicídio, em 1758, a poderosa linhagem Távoras foi perseguida e dizimada, incluindo os palácios, visitados pelas alçadas do implacável Marquês de Pombal, incumbidas de apagar todos os sinais heráldicos dos fidalgos envolvidos na conspiração. Já em finais do século XVIII, com o desenvolvimento dos concelhos que o rodeavam, S. João da Pesqueira estava confinado a um termo muito menor daquele que tinha aquando da sua criação, abrangendo já as freguesias de Nagozelo do DouroPereirosVilarouco e Vale de Figueira.

Bandeira de São João da Pesqueira

Cultura e Turismo : 

          Pelas suas características geográficas, o concelho de S. João da Pesqueira é bastante atrativo em termos turísticos, caracterizando-se por uma beleza paisagística extraordinária e uma riqueza histórica notável. Um dos locais de onde se pode apreciar uma bela vista sobre o rio Douro é o miradouro da Casa Redonda, localizado na freguesia de Ervedosa do Douro. 



Gastronomia : 

           Da gastronomia tradicional do concelho de S. João da Pesqueira são de destacar: o cabrito assado no forno e o pão da pesqueira.

Artesanato : 

           O artesanato de S. João da Pesqueira prima pela diversidade, abrangendo trabalhos que vão desde a tecelagem, passando pela cestaria e tanoaria até à funilaria. Na cestaria são de destacar os utensílios em verga para os mais variados fins: cestos de carga e vindimos para o transporte de uvas para os lagares; cestos de duas asas para levar o almoço para os trabalhadores do campo e cestas pequenas utilizadas na apanha da azeitona. No que diz respeito à funilaria, são produzidos artefatos em folha para uso doméstico como regadores, canecos, candeias para iluminação e tijelas em folha. 


sábado, 8 de dezembro de 2012

Viagem e visita ao concelho do Tabuaço

Brasão de Tabuaço

Localização : 

             concelho de Tabuaço está integrado no distrito de Viseu, na província de Trás-os-Montes e Alto DouroOcupando uma área de 135.7 Km2 , o concelho é composto por dezassete freguesias e faz fronteira a Norte com o rio Douro, a Ocidente com o rio Tedo que o separa do concelho de Armamar, a Sul com os concelhos de Moimenta da Beira e Sernancelhe e a Leste S. João da PesqueiraO território do concelho de Tabuaço é bastante montanhoso, sendo definido pelo planalto de Chavães que atinge a sua altitude máxima aos 952 metros. 



História : 

             A antiguidade do povoamento do território do atual concelho de Tabuaço pode ser comprovado através dos vários vestígios da cultura castreja, encontrados na área do concelho e cujos exemplos mais significativos são os castros de Longa e de Cabris. Também a toponímia constitui uma importante fonte para perceber as origens de uma terra. No concelho de Tabuaço, o exemplo parte do topónimo principal: a forma antiga do topónimo "Tabuaço", "Tabulazo", deixa antever que o topónimo é de origem latina através da palavra "tabula" que significa "ponte de Tábuas". Apesar do remotíssimo povoamento, as fontes históricas relativas a este concelho são escassas, especialmente devido a dois factores: a perda do cartório do mosteiro de S. Pedro das Águias e a falta de textos nas Inquirições do século XIII, que, ao que tudo indica, não se chegaram a realizar por motivo da curiosa situação senhorial e administrativa que Tabuaço então vivia. O território do atual concelho de Tabuaço estava incluído nos coutos de Leomil e de S. Pedro das Águias (o primeiro, um couto secular e o outro monástico), ambos na pertença de duas nobres estirpes que cedo se ligaram por laços matrimoniais. O couto de Leomil que ocupava grande parte do atual concelho de Tabuaço foi criado pelo Conde D. Henrique e D. Teresa e doado ao seu prócer D. Garcia Rodrigues. No entanto, ao que se sabe, este último e os seus antepassados já possuíam Leomil e outras terras até ao Douro e Paiva, pelo menos como honra. Assim se explica que não se encontrem referências a Tabuaço nas Inquirições dos séculos XIII e XIV, pois uma vez que estando as terras de Tabuaço integradas no couto de Leomil, ficaram englobadas na referência a este, e uma vez que se tratava de um couto onde a coroa não possuía propriedades e direitos e mesmo a informação relativa ao couto era bastante sucinta. No entanto, nem todos os lugares ou terras de Tabuaço eram da pertença dos senhores de Leomil. Efetivamente  estes tinham em todos a jurisdição, por se tratar de um couto, no entanto, existiam outras honras e propriedades de diferentes fidalgos. Em Chavães, por exemplo, toda a "villa" parece ter sido honra da estirpe dos "de Azevedo", os quais teriam concedido a Chavães carta de foral em 1265, confirmada por D. Afonso III em 1269. Pela mesma altura em que o vasto termo de Leomil foi coutado a D. Garcia Rodrigues, o Conde D. Henrique coutou também o território a oriente ao Mosteiro de S. Pedro das Águias, em atenção a Ramiro Pinióniz e seus irmãos, cunhados de D. Garcia Rodrigues. Neste Couto estavam integradas as atuais freguesias de TávoraParadelaGranjinhaPereiroDesejosa e Valença do Douro, algumas das quais o mosteiro aforou. Do século XIV para o século XV, existiam dentro do atual concelho de Tabuaço pelo menos uns dez pequenos concelhos, a saber: Barcos, Valença, Tabuaço,PinheirosGranja do TedoLongaArcosSendim, Paradela e Távora. Alguns foram criados pelo mosteiro e outros surgiram por ação real e senhorial. A existência de tantos concelhos antigos, embora aglutinados por Leomil e por S. Pedro das Águias, foi uma imposição geográfica e de antigas condições humanas locais. Com o advento do liberalismo, em 1855, todos estes concelhos foram extintos e anexados ao concelho de Tabuaço.

Bandeira de Tabuaço

Cultura e Turismo : 

           A principal atração turística do concelho de Tabuaço advém da variedade da paisagem que lhe é característica. De assinalável interesse são também os monumentos, a gastronomia, o artesanato, as festas, feiras e romarias, entre outros. 


Gastronomia : 

           A maior expressão gastronómica do concelho de Tabuaço são:os peixes do rio em molho escabeche; o  javali assado no forno e o cabrito recheado e  assado no forno. Na doçaria tradicional destacam-se: o doce de teixeira e o bolo de rei.



Receita de Gastronomia : 

Cabrito assado no Forno : 

Ingredientes:
  • carne de cabrito q.b. partida aos bocados
  • 5 colheres de massa de pimento doce
  • 1 colher de massa de pimento picante
  • 2 cebolas
  • 2 dentes de alho
  • 1 copo de whisky
  • 2 copos de óleo
  • sal q.b.
Preparação : 

Na véspera, misturar o óleo, o whisky, os dentes de alho picados, as cebolas picadas, a massa de pimento doce e a de pimento picante.Tempera-se o cabrito com o sal e mistura-se o cabrito no  molho preparado, deixando descansar até o dia seguinte. Quando for a altura de cozinhar, basta levar ao forno médio cerca de 1 hora e meia.  Sirva acompanhado de batatas ou arroz a gosto.Este prato é muito simples mas fica muito gostoso.